Cinco atores-músicos contam e cantam a história do menino que virou pato e de sua avó enfeitiçada que perde seu encanto, o de nunca envelhecer. O pato, na tentativa de reencontrar sua avó, enviando-lhe uma foto, é preso pelo cavalo-polícia, junto com o macaco retratista e o passarinho da máquina fotográfica. Uma aventura que envolve cobra, fada enfeitiçada, Nossa Senhora, meninas traquinas, professor Dom Galaor, e muitos feitiços até ele reencontrar a sua avó enfeitiçada.
Pé de Pilão nasceu de uma antiga canção de roda:
“Pé de Pilão, carne seca com feijão, arreda camundongo pra passar o batalhão”.
Assim como a canção, esse projeto tem longa data de maturação. O poema que deu origem ao livro foi escrito há sessenta anos pelo poeta Mário Quintana, numa única noite. Ficou por trinta anos na sua gaveta por conta da ditadura Vargas que não aceitou os versos “o polícia era um cavalo montado noutro cavalo”. Em 1976, a Editora Garatuja, da escritora de literatura infantil Mery Weiss, publicou o livro com sucesso. Na ocasião, o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu a seguinte carta, que prefaciava o livro:
Rio, 30 junho 1975
Mario Quintana, poeta e mágico
Eu fujo de livros e estórias infantis como quem foge do demo ou da peste. Costumam ser a negação do espírito da infância. Mas se é você quem se dispõe a escrever para crianças, a coisa muda de repente. Seu Pé de Pilão é – não podia deixar de ser – uma delícia plena. A graça, a inventividade, o envolvimento na melodia verbal, tão simples e cativante – que pequenina obra-prima você ofereceu a todos!
O abraço contente do seu amigo
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
No mesmo ano ou no seguinte da edição, Mery Weiss, com anuência do poeta, propôs ao músico e compositor Cláudio Levitan que fossem feitas músicas sobre o poema para ser gravado em disco (LP). Por sua vez, Levitan convidou seus amigos e compositores, Nico Nicolaiewsky e Vitor Ramil, para, em parceria executarem, essa importante tarefa. Levaram-se outros trinta anos para que o projeto pudesse chegar ao formato de um livro sonoro. Muito se deve a montagem do texto como uma opereta infantil com bonecos, cuja estréia ocorreu em 2006 na Casa de Cultura Mario Quintana, entre as homenagens ao centenário do nascimento do poeta, sob a direção de Mario de Ballentti, com arte de Maíra Coelhoe sua equipe e baseada na adaptação para quadrinhos de Cláudio Levitan (publicada em 1986 pela Ed LPM). O espetáculo recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor Trilha Sonora para Teatro Infantil. Em 2.007, o FUMPROARTE concedeu financiamento para a gravação em cd da referida trilha sonora, que tem a história em quadrinhos sem os textos como encarte, para que o pequeno leitor-ouvinte possa “ver” as músicas e completar os espaços em branco com as letras que for aprendendo com a repetição. É um disco para ser lido e um livro para ser ouvido.
A peça, por sua vez, é uma rara montagem em formato de opereta para que crianças e adultos usufruam desse gênero cênico-musical e aproveitem a fantasia de “uma pequena obra-prima” do poeta Mario Quintana.