| Os shows já estavam acontecendo: GERALDO FLACH, VICTOR HUGO e FERNANDO DO Ó vinham atuando juntos neste espetáculo. O repertório recheado de sambas, bossas, toadas, boleros e outros ritmos que compõem a vasta produção do indiscutível talento de Gonzaguinha. Projeto “perfeito”, trabalho arranjado e pronto: as lindas canções do Gonzaguinha, a bela voz de VICTOR HUGO, o talento do multi - instrumentista FERNANDO DO Ó, aliados à sensibilidade e exímia execução do pianista GERALDO FLACH. A fatalidade silenciou as notas musicais de um dos maiores pianistas do Brasil. Mas ele deixou um trabalho pronto com todo cuidado tanto para gravação de um cd como para seguir em turnê.
O tempo ainda é pequeno desde sua partida, mas a urgência em continuar este trabalho é grande para não se perder toda a energia expressa nas apresentações que certamente continua impregnada na memória do público que lotou o Foyer do Teatro Bourbon Country, Teatro Renascença e cidades do interior como Dois Irmãos, Camaquã, Santa Cruz do Sul e Santa Rosa. O show composto de inesquecíveis clássicos de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, também marcou o importante retorno aos palcos do cantor Victor Hugo, ausente desde os tempos de sua renomada carreira na área da música nativista.
Surgiu então a grande dúvida: Quem poderia ser o pianista para executar os arranjos de GERALDO FLACH? Era vontade de Geraldo, certamente, que não se parasse o projeto. Era de sua personalidade ímpar, generosa, de que se abrissem novos horizontes, novas formas, novos músicos para dar segmento ao que ele começou. Assim, Victor Hugo e sua produtora, Ângela Moreira Flach – Dharma Produção - decidem não deixar de lado o espetáculo e saem atrás de sua adaptação e continuidade.
A idéia inicial está aqui apresentada em novo formato, nova sonoridade, mantendo os arranjos de Flach, que é uma forma de Victor homenagear o parceiro e também ao próprio Gonzaguinha, uma vez que no dia 29 de abril se completam 20 anos de sua morte.
Sobre Gonzaguinha, resumidamente podemos dizer que foi um compositor brilhante na música popular brasileira em cuja obra se percebe a riqueza melódica e de texto que bem retratam um momento da vida do país, sob uma ótica muito crítica, muito sensível, com muita ironia e com muito amor. Gonzaguinha foi um homem de seu tempo e, hoje, quando nos debruçamos sobre seu trabalho, vemos que foi também um homem além de seu tempo. Daí, a inequívoca constatação do quanto é ainda atual e vivíssima a sua produção musical.
O redimensionamento do projeto Gonzaguinha concebido por Geraldo em 2007, para sua continuidade é agora apresentado com Marcelo Corsetti - violão e guitarra, Matheus Kleber – piano, Rodrigo Reinheimer – baixo e Rafa Marques – bateria. Apresentando clássicos como Começaria Tudo Outra Vez, Grito de Alerta, O Que É, O Que É, Sangrando, o show incentiva a participação do público trazendo à tona canções sensivelmente guardadas na memória popular. As músicas escolhidas para o repertório moldam um panorama da visão sócio-política e existencial de Gonzaguinha, em arranjos a partir de Geraldo Flach. |